“Não queremos mais trabalhar com medo”, afirmam educadores da EMEF Morro da Cruz, após novo caso de violência

Educadoras e educadores da EMEF Morro da Cruz, representantes da Atempa e do Simpa e vereadores (as) se reuniram com representantes da Secretaria Municipal de Educação (Smed) para exigir medidas urgentes de segurança diante da escalada de violência que atinge a escola. A reunião ocorreu após mais um grave episódio de violência registrado na última terça-feira (12), quando a mãe de uma aluna agrediu fisicamente a vice-diretora da instituição.

A situação na EMEF Morro da Cruz é insustentável. Medo e violência se tornaram parte do cotidiano de educadoras e educadores — e a Secretaria Municipal de Educação (Smed) nada faz para garantir proteção e condições dignas de trabalho.
A falta de professores é alarmante e obriga até o Serviço de Orientação Escolar (SOE) e o setor pedagógico a assumirem turmas, deixando a escola ainda mais vulnerável.

O caso não é isolado. São 1.603 registros de atendimentos envolvendo violência na tabela do SOE/Coordenação de Turno — e o número real pode ser ainda maior, pois nem todos conseguem registrar. Empurrões, xingamentos, tapas na cara e ameaças fazem parte da rotina. Muitos profissionais estão adoecendo e em tratamento psicológico.
Professoras e professores que preferiram não se identificarem por medo de retaliações e mais violência, relataram como é o cotidiano de insegurança na escola:
“Nós sofremos agressões cotidianamente. Nos sentimos intimidados, vulneráveis, somos agredidos com empurrões, xingamentos agressivos e tapa na cara. E no dia seguinte temos que receber esses alunos como se nada tivesse acontecido, dando a sensação de impunidade e liberdade aos que nos agridem. Muitos de nós estão em tratamento psicológico.”

“A gente não quer mais trabalhar com medo. Se o aluno me empurrou e nada é feito, vai incentivar que continue e que os demais também façam o mesmo.”

Smed: Ameaça, protocolos defasados e descaso
Mesmo com a gravidade, a Smed responde com ameaças administrativas quando a escola comunicou o ocorrido e a decisão de fechar as portas nesta quarta-feira (13), por medo e insegurança. A reposta da secretaria foi a de que haveria repercussões administrativas.
“Existe uma falta de política da mantenedora quanto aos protocolos de segurança, que estão defasados. A insegurança nas escolas não é uma novidade, são inúmeras instituições que sofrem com isso. Aqui na escola temos vários outros casos prestes a estourar. Professores do SOE estão em sala de aula devido à falta de educadores. Nada pode para a Smed, mas apanharmos na escola pode.”, destacou a diretora da Atempa e professora na EMEF Morro da Cruz, Ângela…A Atempa reforça: não aceitaremos que educadores sigam expostos a riscos e que a violência seja tratada com normalidade. É dever do município garantir segurança, políticas efetivas de prevenção e respeito.

Encaminhamentos
Após intenso debate e a decisão dos educadores em exigir que a Smed providencie a segurança na escola, ficou decidido que a aluna em questão será afastada e receberá atividades para fazer em casa até que seja feito o seu encaminhamento a outra instituição
Confira os demais encaminhamentos:

Propostas do Coletivo de Professores da EMEF Morro da Cruz após agressão ocorrida no dia 12/08/2025:

  • Nenhuma punição da Smed em relação aos acontecimentos que foram desencadeados a partir da agressão ocorrida no dia 12 (por exemplo, a decisão do Conselho Escolar de cancelamento das aulas no dia 13/08/2025);
  • Protocolos de segurança com formação para as direções e professores(as);
  • Respeito a autonomia da escola em relação as decisões sobre o que configura uma situação de segurança pública e desacato ao servidor público;
  • Respeito a autonomia da escola em respeito às decisões/encaminhamentos relativos aos alunos;
  • Que a SMED trate do caso específico encaminhando a troca imediata da aluna de escola, sem o retorno presencial da mesma;
  • Volta do programa SEPROVIDA na rede;
  • A escola está operando com o quadro de professores defasado, preenchimento imediato das necessidades de quadro;
  • Garantia de que setores (SOE, Coordenação de turno, supervisão e projetos) não serão alocados em sala de aula para garantir o bom funcionamento das rotinas escolares e dos projetos;
  • Garantia de horas de reunião para discussão coletiva;
  • Professores volantes, para dar conta dos afastamentos e licenças que ocorrem inevitavelmente na rotina escolar;
  • Espaço de acolhimento psicológico na escola para aluno que não está em condições de permanecer em sala;
  • Serviço de portaria;
  • Construção imediata de um posto avançado da secretaria na entrada da escola para fazer a triagem do acolhimento às famílias.