Educação para poucos: quando o poder público escolhe quem tem direito ao futuro

Foto: Lauro Alves

Porto Alegre vive um desmonte programado. O que o prefeito Sebastião Melo e o secretário de Educação, Leonardo Pascoal, apresentam como “reorganização” ou “gestão” é, na verdade, uma ofensiva direta contra o direito constitucional à educação.

Os ataques sucessivos do governo Sebastião Melo à educação pública municipal não podem ser tratados como decisões isoladas ou ajustes administrativos. Eles compõem um projeto político claro: o de retirar, de forma sistemática, o direito da população mais pobre a uma educação pública de qualidade, completa, democrática e com estrutura adequada.

O fim dos sextos anos em escolas municipais, a fragmentação do ensino fundamental, a retirada da gestão democrática, o fechamento de turmas de magistério, entre tantos outros ataques, não são apenas cortes. São escolhas. Escolhas que atingem sempre os mesmos: crianças e jovens das periferias.

Enquanto as escolas privadas da capital avançam com tecnologias, infraestrutura de ponta e currículos ampliados, a escola pública de Melo e Pascoal retrocede. Para a elite, o céu é o limite; para o povo, o limite são escolas com ensino fundamental incompleto e o silenciamento das comunidades.

Diante dos fatos, é possível comparar a política de Melo e Pascoal a definição de aporofobia — a aversão e a discriminação contra os pobres — que dialoga com o racismo estrutural que marca a sociedade brasileira. Quando o poder público aceita que escolas em territórios vulnerabilizados tenham menos recursos, menos etapas de ensino, menos autonomia e menos perspectivas, está dizendo, ainda que não diretamente, que essas vidas valem menos.

Ao retirar o sexto ano, o governo empurra estudantes para deslocamentos maiores, rompe vínculos comunitários e fragiliza trajetórias escolares. Ao acabar com a gestão democrática, silencia professores, famílias e comunidades. Ao fechar turmas de magistério, compromete o futuro da formação docente e da própria educação pública. Nada disso é neutro. Tudo isso produz exclusão.

A pergunta que a sociedade precisa fazer é direta: por que apenas uma parte dos estudantes têm direito a uma escola completa, estruturada e democrática?

A responsabilidade tem nome e sobrenome

Melo e Pascoal precisam ser responsabilizados por essas decisões. Governar não é administrar escassez. Governar é garantir direitos — especialmente os direitos fundamentais, como a educação.

A educação pública não pode ser tratada como um serviço mínimo para os menos favorecidos. Uma cidade que aceita essa lógica está, na prática, naturalizando essa desigualdade e comprometendo o futuro de crianças e jovens.

A ATEMPA alerta: defender a educação pública é defender a democracia, a justiça social e o direito de todas e todos a um futuro digno. Essa não é uma pauta da sociedade.

A Atempa segue firme na luta contra os ataques do governo, denunciando, realizando  mobilizações e fortalecendo a luta.  Não aceitaremos que a educação pública seja tratada como um serviço menor destinado apenas a quem não pode pagar. Educação é direito, é dignidade e é a única ferramenta capaz de romper o ciclo de exclusão que este governo tenta perpetuar.

Melo e Pascoal: a educação pública não está à venda e não aceitará o silêncio!