Atempa denuncia, em reunião da CECE, que a violência contra educadores também é resultado da negligência do governo

A direção da Atempa participou, nesta terça-feira (2), da reunião sobre a violência nas escolas da rede municipal, realizada na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, promovida pela Comissão de Educação (CECE). Nos últimos 15 dias foram registradas quatro ocorrências graves (agressão física e ameaça à vida), em diferentes escolas e regiões. Até o momento, em 2025, foram denunciadas à Atempa seis casos deste tipo.

A violência contra os educadores parte tanto de alunos quanto familiares em um ambiente que deveria ser seguro e de acolhimento. A reunião, para além de pensar nas ações que podem ser realizadas para evitar este tipo de situação, foi principalmente para mostrar o nível de fragilidade da saúde mental dos professores e professoras de Porto Alegre, que continua sendo negligenciada pela atual gestão. 

A diretora da Associação, Rosele Bruno de Souza, destacou em sua fala que essas violências deixaram de ser esporádicas e se tornaram algo do cotidiano da vida escolar, e que isso não começou de maneira espontânea. “Essa violência tem como princípio o descrédito e a desvalorização, que vem sendo propagada através de campanhas mentirosas, com vídeo nas mídias de discurso de ódio, imputando aos professores a ideia de ideologizar alunos. Tudo isso acaba com a imagem dos professores e da escola”, afirma. 

A escalada da violência é um resultado direto da negligência da mantenedora das instituições. A vereadora e vice-presidente da comissão, Juliana de Souza (PT), questionou diretamente o secretário adjunto Jorge Murgas sobre as soluções feitas pela secretaria. “Qual é a presença do estado na periferia além da força policial? A única presença positiva do estado nesses locais são as escolas. Mas acabaram com tudo. Não temos mais a escola cidadã, que tinha a participação da comunidade. E ataques à autonomia dos conselhos escolares não é uma solução para isso tudo”, destaca a vereadora.

 A Atempa seguirá denunciando os crimes de violência contra educadores e participando dos debates para construirmos um ambiente seguro e acolhedor, reforçando seu compromisso com uma educação pública, democrática e de qualidade para todas e todos.